sexta-feira, 24 de março de 2017

João de Barros


n. provavelmente em Viseu em 1496; 
f. em Pombal em 20 de Outubro de 1570.

Filho natural de Lopo de Barros, corregedor da comarca do Alentejo em 1499, nasceu possivelmente em Viseu, ou em Braga. Moço do Guarda-roupa do príncipe D. João, futuro D. João III, foi nomeado em 1525 tesoureiro das Casas da Índia, Mina e Ceuta, e em 1533 foi nomeado feitor das Casas da Guiné e Índias, cargo que exerceu até 1567. Na época que mediou as nomeações, viveu em Pombal, fugindo da peste que assolou Lisboa em 1530 e evitando as consequências do grande terramoto de 1531 que destruiu a capital.

Nesse ambiente calmo da Quinta do Alitém, parte do dote da sua mulher, contando 24 anos de idade, publicou em 1530 uma novela de cavalaria com o título Crónica do Imperador Clarimundo, contando a história de um antepassado legendário dos reis de Portugal. Mais tarde, em 1532, publicaria a Ropica Pnefma (Mercadoria Espiritual), obra declarando defender a pureza da fé cristã, mas que de facto está muito próximo das posições de Erasmo de Roterdão, criticando mas sem abandonar o catolicismo, o que fará com que fosse colocada no «Índex» em 1581, e no ano seguinte escreverá um Panegírico de D. João III.

Em 1535, quando foram criadas as capitanias brasileiras, D. João III doou-lhe uma das doze criadas, com cinquenta léguas de largura ao longo da costa, na foz do Amazonas. Decidiu equipar uma expedição para ocupar o território doado, com o apoio de Aires da Cunha e Álvares de Andrade, outros dois beneficiados com capitanias, que terá sido composta por dez embarcações, com novecentos homens, sob o comando do primeiro dos capitães. A frota saiu em fins de 1535, dirigindo-se para o norte do Brasil mas foi destruída na barra do Maranhão, tendo a maior parte dos participantes sido morta. Este desastre deixou João de Barros bastante empobrecido.

Entretanto, publicou em 1539 uma cartilha conhecida como Cartinha de João de Barros, e em 1540 publicou O Diálogo de João de Barros com dois filhos seus sobre preceitos morais e a Grammatica da língua portuguesa obra acompanhada do Diálogo em louvor da Nossa Linguagem.

A sua principal obra, As Décadas, escritas de acordo com uma sugestão do rei D. Manuel, após ter publicado o Clarimundo, apareceu em 1552, saindo somente mais duas em vida do autor, a segunda no ano seguinte, e a terceira em 1563. Uma quarta, de autoria um tanto questionável, foi impressa em 1613.

As Décadas não lhe ocupavam todo o tempo, e em 1556 organizou nova expedição ao Maranhão, em que participaram dois dos seus filhos, que, se foi mais feliz, porque conseguiu regressar, depois de ter combatido com corsários franceses e índios., não conseguiu cumprir de novo o objectivos de criar condições para a colonização da capitania.  

Notícia retirada daqui

quinta-feira, 23 de março de 2017

Maria Judite de Carvalho


Revelou-se como escritora com o livro Tanta Gente Mariana..., colectânea de uma novela e sete contos publicada em 1959. O livro considerado pela crítica como “estreia notabilíssima, talvez sem precedentes na história literária das últimas décadas” (Ramos de Oliveira, em Jornal de Notícias”) valeu-lhe reconhecimento instantâneo. Mas a sua obra completa (num total de 15 títulos, dois deles póstumos) permanece inexplicavelmente desconhecida do grande público. Nascida em Lisboa a 18 de Setembro de 1921, Maria Judite de Carvalho viveu em França e na Bélgica entre 1949e 1955, ainda antes da estreia literária. O resto dos seus anos, passou-os na capital, cenário de uma infância que evocava feliz: “Andava de bicicleta na Praça da Alegria, ia a pé até ao Campo Grande” (entrevista ao “Jornal de Letras”, 1996) e cujo fulgor não parece ter-se prolongado pela vida adulta que, nas suas palavras, “não foi boa, não” (ibidem). A esta amargura não terá sido alheia a ostensiva hostilização do público português à sua obra, de cuja promoção nunca, de resto, cuidou, avessa como foi sempre foi a toda a espécie de mundanismos. Maria Judite de Carvalho permanece uma escritora de actualidade renovada, difícil de catalogar no estilo que geralmente lhe é associado (herdeiro do existencialismo e do chamado “novo romance”), possuidora de portentosa capacidade para dissecar o desespero e a solidão quotidiana na grande cidade. Em “Tanta Gente, Mariana...” aparece já uma frase premonitória : “Mas hoje são 20 de Janeiro e daqui a três ou quatro meses começo a esperar a morte.” Morte que ocorreria só trinta e nove anos e doze livros depois, mas cujo lastro se deixa adivinhar nestas primeiras páginas, através do percurso de Mariana Toledo, a jovem de 15 anos que descobre, assim sem mais nem menos, que a solidão e a desagregação são as únicas coisas que temos certas. Embrião de toda uma obra futura (obra imprescindível no panorama da literatura portuguesa do século XX), “Tanta Gente Mariana...” é matriz do mundo que sempre acompanharia a obra da escritora . Um mundo só seu , onde o eco de cada passo se transforma no barulho ensurdecedor da passagem do tempo . Várias vezes galardoada, esta “flor discreta” da nossa literatura (como lhe chamou Agustina Bessa-Luis) permanece um grandioso mistério que o público não soube ainda desvendar como merece. Sina na qual foi coeva de Irene Lisboa, curiosamente a única escritora que alguma vez admitiu estar-lhe próxima da alma. 

Notícia retirada daqui

quarta-feira, 22 de março de 2017

Amélia dos Santos Costa Cardia


Amélia dos Santos Costa Cardia, uma das primeiras médicas portuguesas e escritora, nasceu em Lisboa, filha da parteira diplomada Justa Matilde de Carvalho e Costa e irmã da parteira da família real, Alice Cardia. Estudou num colégio interna e casou nova. Teve dois filhos do primeiro casamento. Voltaria a casar em 1903 com Francisco de Azevedo Coutinho e decidiu estudar na Escola Politécnica de Lisboa. Matriculou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa no ano lectivo de 1886. Amélia iria trabalhar com dois nomes grandes da Medicina portuguesa: Câmara Pestana e Moreira Júnior. Amélia foi tão boa e empenhada aluna que mereceu louvor da direcção do Hospital. Fez tese de doutoramento com o tema "Febre Amarela". Estudou e foi médica com consultório na Praça de Camões, em Lisboa. Visitou hospitais no estrangeiro para estar a par dos mais recentes equipamentos. Muitas mulheres a procuravam, pois as consultas eram gratuitas aos sábados. Amélia Cardia foi uma mulher empenhada como médica, tendo criado uma Casa de Saúde que dirigiu durante quase uma década e como mulher, fazendo parte da Liga Nacional Contra a Tuberculose e Associação das Ciências Médicas, pugnando pelo mais fácil acesso das mulheres à Medicina. Deixou diversos escritos na sua área e romances. Pertenceu à Federação Espírita Portuguesa.

Notícia retirada daqui

terça-feira, 21 de março de 2017

Lutgarda Guimarães de Caires

O Natal dos Hospitais que hoje conhecemos e que é transmitido para todo o país pela rádio e pela televisão nasceu há várias décadas de um drama pessoal: a morte de uma menina. Para se recompor do choque, a mãe passou então a visitar crianças doentes nos hospitais, levando- lhes roupas, brinquedos e rebuçados. E foi com esse acto que, no princípio do século, a escritora e poetisa Lutgarda de Caires deu os primeiros passos para o Natal das Crianças dos Hospitais, hoje alargado aos doentes de todas as idades.
Vila Real de Santo António orgulha-se de na sua cidade ter nascido, em Novembro de 1873, aquela que além de escritora e filantropa, teve, um dia, a ideia de proporcionar às crianças doentes um Natal com agasalhos, prendas e brinquedos, cuja dimensão viria a atingir a imensa popularidade do actual Natal dos Hospitais. 
             Lutgarda Guimarães (de Caires pelo casamento), filha de Maria Teresa de Barros Guimarães e de José Rodrigues Guimarães, perdeu a mãe ainda criança. Mas o pai rodeou-a, a ela e ao irmão, de um ambiente de grande ternura e muita arte. Os filhos foram embalados ao som de harpa, violino e cítara, que o pai executava primorosamente. Desde criança, Lutgarda improvisava, junto com o irmão e os primos, treatrinhos com peças consagradas que adaptavam e representavam para a família. 
             Ainda jovem, Lutgarda Guimarães deixa o Algarve e passa a viver em Lisboa onde conhece e vem a casar com o advogado madeirense João de Caires, homem culto, escritor e fundador da Sociedade de Propaganda de Portugal, que reunia em casa amigos e onde havia regularmente animados serões literários. Era o ambiente propício para que Lutgarda de Caires desse livre curso à sua criatividade. Porém, sofreu logo no início do casamento a perda de uma filha (e provavelmente ainda de outro filho), facto que a marcou profundamente e que se revela na sua poesia, toda ela triste. A partir daí, decide passar a visitar as crianças doentes do Hospital da Estefânia levando-lhes roupas, brinquedos e rebuçados. As crianças foram o lenitivo para a sua dor. 
             Durante alguns anos o casal Caires viveu em Óbidos e Alcobaça, onde o marido foi juiz. Nesta cidade do célebre Mosteiro nasceria, em 1895, o filho Álvaro (Guimarães de Caires), que viria a ser, além de médico, professor na Universidade de Sevilha, escritor e investigador. 
             De passagem por Alcobaça, onde repousam os amantes mais conhecidos da Península - Pedro e Inês -, Lutgarda de Caires declamou num sarau literário junto aos seus túmulos. Por onde passava, Lutgarda deixava uma marca de cultura e filantropia. A partir de 1905, começa a colaborar em jornais com artigos de índole social. A sua primeira obra. 'Glicínias" foi editada em 1910. Seguiram-se "Papoilas (1912) e "A Dança do Destino contos e narrativas" (1913). 
             Já regressada a Lisboa, continua a visitar regularmente as crianças do Hospital da Estefânia. Fazia- lhes casaquinhos de malha e com o sucesso dos seus livros mais pessoas começaram a conhecê-la e a interessar-se pela sua cruzada em prol das crianças doentes e sozinhas. Os lucros que obtinha da venda dos seus livros revertiam para proporcionar às crianças um dia de Natal especial. 
             Em 1911, o Ministro da Justiça Diogo Leote propôs à escritora que fizesse um estudo da situação dos presos, principalmente das mulheres. Nessa época as prisões eram mistas e as mulheres estavam numa situação extremamente critica, tanto fisica como psicologicamente. Lutgarda denunciou as péssimas condições em que viviam os prisioneiros e os seus artigos conseguem que seja abolida a máscara nas prisões (para presos com determinadas penas) e a obrigatoriedade do silêncio, castigo medieval que infelizmente vigorou até ao 25 de Abril de 1974. Conseguiu ainda que as mulheres tivessem melhores condições higiénicas nos cárceres.
Mas a sua prioridade ia para as crianças e para a escrita. A sua obra é principalmente de poesia, que dedica a figuras famosas da época, algumas que per duraram no tempo, como Guerra Junqueiro, Branca de Gonta Colaço, Virgínia Quaresma, Maria Amália Vaz de Carvalho e Laura Chaves, entre outros. 
             Em 1923, Lutgarda de Caires, ganhou o 1° prémio nos Jogos Florais Hispano-Portugueses de Ceuta, com o soneto Florinha da Rua. A autora, ausente em França, fez-se representar pelo irmão João de Deus Guimarães, numa bela cerimónia que teve lugar no mosteiro do Carmo, na Associação dos Arqueólogos e onde uma delegação espanhola se deslocou propositadamente para fazer a entrega do prémio. 
             Durante dez anos, Lutgarda de Caires foi a impulsionadora do Natal das Crianças dos Hospitais, que hoje apenas se chama Natal dos Hospitais e que foi alargado a todas as idades. É, como sabemos, uma festa que atingiu uma dimensão jamais esperada. Depois de se popularizar, passou a ser transmitida pela rádio e depois pela televisão. Muitas dezenas de artistas colaboram gratuitamente para alegrar os doentes nessa quadra que se quer de fraternidade. Lutgarda de Caires não foi uma feminista "avant la lettre', porque, ciente do analfabetismo feminino em Portugal, achava que reivindicar o voto para as mulheres era prematuro. Primeiro a instrução pela qual se bateu denodadamente e depois sim, o voto consciente. Porém, ela terá feito com os seus artigos, em jornais como "O Século", "Diário de Notícias', 'A Capital", "Brasil-Portugal", "Ecos da Avenida", "Correio da Manhã", mais pela igualdade de oportunidades para as mulheres do que muitas feministas filiadas em organizações. Por detrás de um rosto meigo e uma postura aristocrática, Lutgarda de Caíres foi uma mulher de grande fibra, que denunciou com alguma indignação que mulheres cultas e com cursos superiores fossem excluídas de cargos públicos. Também se insurgiu contra a discriminação de que eram vítimas as mulheres por não poderem dispor dos seus bens, enquanto casadas. 
             Foram muitas as suas acções em prol dos desfavorecidos, nomeadamente aquando do terramoto de Benavente, em 1909, quando imensas famílias ficaram sem nada. 
             Deixou, além dos livros já mencionados, "Bandeira Portuguesa" (1910) defendendo a manutenção das cores azul e branca (polémica em que intervieram muitos nomes da cultura portuguesa); "Dança do Destino" (1911); "Pombas Feridas" (1914), "Sombras e Cinzas" (1916); o romance "Doutor Vampiro" (1921); "Violetas" (1922), "Cavalinho Branco" (1930) e "Palácio das Três Estrelas" (1930), entre outros. Em co-autoria com o arqueólogo e escritor, Manuel Vieira Natividade e Virgínia Vitorino escreveu a peça Inês. 
             Lutgarda de Caires traduziu ainda uma peça de teatro e escreveu o texto da ópera Vagamundo, musicada em épocas diferentes primeiro pelo compositor e maestro Rui Coelho e mais tarde por Júlia Oceana Pereira. Num dos regressos à sua terra natal escreveu estes versos:

"Tornei a ver te! Agora os meus cabelos
embranqueceram já... longe de ti. 
Foram-se há muito aspirações e anelos
mas as saudades ainda as não perdi. 

Mas volto à minha terra, tão bonita! 
Terra onde reina o sol que resplandece, 
aonde a vaga é murmurar de prece
e sinto ainda a ternura infinita. 

É que não há céu de tal 'splendor
nem rio azul tão belo e prateado
como o Guadiana, o meu rio encantado
de mansas águas, suspirando amor!" 

             O Governo português agraciou-a com as Ordens de Benemerência, pela sua dedicação às crianças e com a de Santiago da Espada. Faleceu em 1935. 
             Em 1937, foi dado o seu nome a uma rua de Vila Real de Santo António e, em 1966, foi descerrado um busto, numa praça da cidade, numa cerimónia que teve bastante eco nos jornais locais e do resto do país. A Casa do Algarve foi a principal entidade promotora da homenagem que imortaliza alguém que, acima de tudo, deixou o seu nome ligado a uma iniciativa de solidariedade que não pudemos esquecer. Mesmo que os seus versos já não sejam lidos, Lutgarda de Caires merece ser recordada neste e em todos os Natais.

Notícia retirada daqui

segunda-feira, 20 de março de 2017

Abílio Manuel Guerra Junqueiro

(Célebre poeta anticlerical português )
1850-1923

Célebre poeta anticlerical português nascido em Freixo-de-Espada-à-Cinta, Trás-os-Montes, Portugal, de sólida influência francesa e que obteve em suas sátiras efeitos de caricatura que intensificaram a retórica de seus versos. De família rica e severamente católica, freqüentou a Faculdade de Teologia (1866-1868) que abandonou para seguir para a Universidade de Coimbra onde se formou em Direito (1868-1873) e passou a freqüentar ambientes de intelectuais e políticos. Entrou em contato com os intelectuais do Cenáculo e colaborou na revista Lanterna Mágica (1875). Sua primeira publicação foi Mysticae nuptiae (1866), seguida de A morte de D. João (1874) e a coleção de poemas A musa em férias (1879). Foi secretário dos governos de Angra e Viana, filiou-se no Partido Progressista, monárquico, que estava na oposição (1879), elegeu-se deputado pelo círculo de Quelimane, Moçambique (1880) e representou o país em Berna. Ingressou no grupo Vencidos da Vida (1888), de que faziam parte Eça de Queirós e Oliveira Martins, e continuou a escrever até que se retirou para suas propriedades no Douro (1891), onde evoluiu para o misticismo, caracterizado pela piedade para com os humildes. Morreu em Lisboa, deixando como sua obra mais conhecida, A velhice do Padre Eterno (1875), uma sátira anticlerical de contundente humor e de aspecto caricaturista. Os romances Prosas Dispersas (1921) e Horas de Combate (1924) e obras poéticas como Duas Páginas dos Catorze Anos (1864), Vozes sem Eco (1867), Baptismo de Amor (1868), A Musa em Férias (1879), Finis Patriae (1880), Os Simples (1892), Pátria (1896), Oração ao Pão (1903), Oração à Luz (1904) e Poesias Dispersas (1920). Após a sua morte, surgiu Horas de Combate (1924), reunindo os seus discursos políticos.

Notícia retirada daqui

quarta-feira, 15 de março de 2017

Maria Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro


Romancista, poeta e conferencista portuguesa, conhecida pelo seu nome de solteira, com vasta e diversificada obra, escreveu poesia, literatura infantil, romance e memórias. Filha de um oficial da Marinha ficou órfã de mãe aos doze anos. Estudou em Portimão, Figueira da Foz e Lisboa, tendo frequentado, nesta cidade, os Liceus D. Maria Pia e Passos Manuel. Começou por escrever livros infantis com sucesso nomeadamente "Mariazinha em África", 1926; "A Princesa dos Sete Castelos" e "As Novas Aventuras de Mariazinha", 1935. Conheceu África que transmitiu com talento nos seus livros. Casada com António Ferro, jornalista e homem forte do regime de Salazar, promoveu a cultura no país e estrangeiro em importantes exposições. Criou e desenvolveu, nos anos trinta, a Associação Nacional dos Parques Infantis, dadas as suas excelentes relações com as mais altas instâncias governamentais. A sua poesia é francamente inspirada e está de novo a ser divulgada. Destacam-se "Asa no Espaço", 1955; "Poesia I e II", 1969, "Urgente", 1989. David Mourão-Ferreira elogia vivamente a sensualidade feminina dessa poesia. Fernanda de Castro recebeu, em 1969 o Prémio Nacional de Poesia e recebera em 1945 o Prémio Ricardo Malheiros pelo romance "Maria da Lua". Escreveu até praticamente ao fim da vida, embora nos últimos anos a doença a retivesse na cama. Foi avó da escritora Rita Ferro. Escreveu “Ao Fim da Memória: Memórias (1906-1986)”, 1986.

Notícia retirada daqui

domingo, 12 de março de 2017

Florbela Espanca

Poetisa portuguesa, natural de Vila Viçosa (Alentejo). Nasceu filha ilegítima de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo, criada de servir (como se dizia na época), que morreu com apenas 29 anos, “de uma doença que ninguém entendeu”, mas que veio designada na certidão de óbito como nevrose. Registada como filha de pai incógnito, foi todavia educada pelo pai e pela madrasta, Maria Espanca, em Vila Viçosa, tal como seu irmão de sangue, Apeles Espanca, nascido em 1897 e registado da mesma maneira e registado da mesma maneira. Note-se como curiosidade que o pai, que sempre a acompanhou, só 19 anos após a morte da poetisa, por altura da inauguração do seu busto, em Évora e por insistência de um grupo de florbelianos, a perfilhou. Estudou no liceu de Évora, mas só depois do seu casamento (1913) com Alberto Moutinho concluiu em 1917, a secção de Letras do Curso dos Liceus. Em Outubro desse mesmo ano matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, que passou a frequentar. Na capital, contactou com outros poetas da época e com o grupo de mulheres escritoras que então procurava impor-se. Colaborou em jornais e revistas, entre os quais o Portugal Feminino. Em 1919, quando frequentava o terceiro ano de Direito, publicou a sua primeira obra poética, Livro de Mágoas. Em 1921, divorciou-se de Alberto Moutinho, de quem vivia separada havia alguns anos e voltou a casar, no Porto, com o oficial de artilharia António Guimarães. Nesse ano também o seu pai se divorciou, para casar, no ano seguinte, com Henrique Almeida. Em 1923, publicou o Livro de Sóror Saudade. Em 1925, Florbela casou-se, pela terceira vez, com o médico Mário Lage, em Matosinhos. Os casamentos falhados, assim como as desilusões amorosas, em geral, e a morte do irmão, Apeles Espanca (a quem a Florbela estava ligada por fortes laços afectivos), num acidente com o avião que tripulava sobre o rio Tejo, em 1927, marcaram profundamente a sua vida e obra. Em Dezembro de 1930, agravados os problemas de saúde, sobretudo de ordem psicológica, Florbela morreu em Matosinhos, tendo sido apresentada como causa da morte, oficialmente um “edema pulmunar”. Postumamente foram publicados as obras Charneca em Flor (1930), Cartas de Florbela Espanca, por Guido Battelli (1930), Juvenília (1930)As Máscaras do Destino (1931, contos), Cartas de Florbela Espanca, por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949) e Dário do Último Ano Seguido de um Poema sem Título, com prefácio de Natália Correia (1981). O livro de contos Dominó Preto ou Dominó Negro, várias vezes anunciados (1931, 1967), seria publicado em 1982. A poesia de Florbela caracteriza-se pela recorrência dos temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza. Florbela Espanca não se ligou claramente a qualquer movimento literário. Está mais perto do neo-romantismo e de certos poetas de fim de século, portugueses e estrangeiros, que da revolução dos modernistas, a que foi alheia. Pelo carácter confessional, sentimental, da sua poesia, segue a linha de António Nobre, facto reconhecido pela poetisa. Por outro lado, a técnica do soneto, que a celebrizou, é, sobretudo, influência de Antero de Quental e, mais longinquamente, de Camões. Poetisa de excessos, cultivou exacerbadamente a paixão, com voz marcadamente feminina (em que alguns encontram dom-joanismo no feminino). A sua poesia, mesmo pecando por vezes por algum convencionalismo, tem suscitado interesse contínuo de leitores e investigadores. É tida como a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX. 

quinta-feira, 9 de março de 2017

Bulhão Pato (Raimundo António de).


n.       3 de março de 1829.
f.        [ 24 de agosto de 1912 ].


Poeta contemporâneo, 2.º oficial da 1.ª repartição da direcção geral do Comércio e Indústria, sócio da Academia Real das Ciências.

Nasceu a 3 de março de 1829 em Bilbau, nas províncias vascongadas, e foi criado em Deusto, pequena e risonha povoação assentada sobre o rio, a uma légua da cidade. Era filho de Francisco de Bulhão Pato, poeta e fidalgo português, e de D. Maria da Piedade Brandy.

Na sua infância estava Espanha entregue aos horrores da guerra civil, deram-se os três cercos de Bilbau, e a família Bulhão Pato depois de sofrer grandes transtornos e inclemências, decidiu abandonar a casa onde vivia, e em 1837 retirou-se para Portugal. Os primeiros rudimentos de leitura, gramática, escrita e de língua francesa, aprendeu-os com seus pais. Depois de frequentar o colégio da rua do Quelhas, matriculou-se na Escola Politécnica em 1845. Desde então, contando apenas quinze anos, começou a conviver com as primeiras capacidades literárias e políticas daquela época, como Alexandre Herculano, Garrett, Andrade Corvo, Latino Coelho, Mendes Leal, Rebelo da Silva, Gomes de Amorim, Zaluar, etc.; por vezes via-se na casa de Herculano, na Ajuda, na de Garrett e na de José Estêvão, onde costumavam reunir-se os homens de letras mais notáveis. Este convívio desenvolveu-lhe ainda mais o seu estro poético, que desde criança se manifestara. Os seus versos eram tão espontâneos e tão naturais, que o consagraram verdadeiro poeta.

Publicou o seu primeiro livro em 1850, com o título de Poesias de R. A. de Bulhão Pato; em 1862 apareceu o seu segundo livro, Versos de Bulhão Pato, e em 1866 o poema Paquita. Estes livros tiveram um grande sucesso literário, Acerca da Paquita, escreveram Alexandre Herculano e Rebelo da Silva palavras muito elogiosas. Publicaram-se depois, em 1867 as Canções da Tarde; em 18 70 as Flores agrestes; em 1871 as Paisagens, em prosa; em 1873 os Cânticos e sátiras; em 1881 o Mercador de Veneza; em 1879 Hamlet, traduções das tragédias de Shakespeare, de Ruy Blas de Victor Hugo, 1881 seguindo-se outras publicações: Sátiras, Canções e Idílios; o Livro do Monte, em 1896, de que a imprensa muito se ocupou. Para o teatro, parece que escreveu apenas uma comédia em 1 acto, Amor virgem numa pecadora, que se representou no teatro de D. Maria em 1858, sendo publicada nesse mesmo ano. O sr. Bulhão Pato tem sido colaborador em diferentes jornais: Panfletos, 1858; a Semana, Revista Peninsular, Revista Contemporânea, Revista Universal, etc. Duas vezes foi convidado para deputado, mas sempre se recusou. A sua biografia encontra-se na Revista Contemporânea, 1.° vol., de 1861, a pág. 539, escrita por L. A. Rebelo da Silva, e no Ocidente, vol. XIV, de 1891, pág. 10 e seguintes, escrita pelo sr. conde de Valenças. No Ocidente de 15 de Dezembro de 1896 e números seguintes, também se encontra um artigo do sr. Zacarias de Aça acerca do Livro do Monte.

Biografia retirada daqui


segunda-feira, 6 de março de 2017

Irene do Céu Vieira Lisboa


Escritora e pedagoga portuguesa, nascida no Casal da Murzinheira, concelho de Arruda dos Vinhos) Teve uma infância sem pobreza. Foi educada no Convento do Sacramento, que não lhe agradou. Estudou em Lisboa no Colégio Inglês até aos treze anos. Frequentou o Liceu D. Maria Pia, onde conheceu a sua amiga e companheira Ilda Moreira. Com o curso do Magistério Primário, começou a leccionar. “O seu destino literário é, entre os destinos literários infelizes, um dos mais marcados pelo infortúnio e pela injustiça”. Escritora de primeiríssima água, como reconheceram José Rodrigues Migueis, Gomes Ferreira, João Gaspar Simões. Publicou aos 20 anos no jornal Educação Feminina os primeiros versos. "Irene Lisboa exerceu a profissão na capital até ao momento em que, juntamente com a sua colega e amiga Ilda Moreira, aceita o desafio de reger classes de ensino infantil criadas nas escolas oficiais. Parte para Genebra, mercê de uma bolsa do Instituto de Alta Cultura, especializando em Pedagogia. Deixou uma obra que se estende por contos, crónicas, poemas, artigos sobre educação e ensino. Foi uma narradora insuperável do quotidiano. Usou o pseudónimo de João Falco, Manuel Soares e Maria Moira. Por motivos políticos foi afastada do ensino aos 48 anos. Os mais conhecidos sucessos desta autora foram «Um Dia e Outro Dia», 1936; «Esta Cidade!», 1942; «Uma Mão Cheia de Nada e Outra de Coisa Nenhuma», 1955 e «Voltar Atrás Para Quê?», 1956. Deixou obra vasta na área da pedagogia.

Biografia retirada daqui

sexta-feira, 3 de março de 2017

Ilse Losa


Escritora portuguesa de origem alemã, nascida em Hanôver, de ascendência judia, veio para Portugal em 1934, fugindo à perseguição nazi. É conhe-cida principalmente pelos seus livros para crianças e pelo seu livro sobre as memórias das perseguições aos judeus com o título "O Mundo em que vivi” (1943). Recebeu, em 1991 o Grande Prémio de Livros para Crianças atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian. Escreve regularmente desde 1949, sendo o seu livro "Um Fidalgo de Pernas Curtas" muito conhecido, bem como "Contos de Eva Luna." Divulgou autores portugueses na Alemanha. Trabalhou também para a televisão criando séries infantis. Faleceu a 6 de Janeiro de 2006.

Biografia retirada daqui
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