terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Elina Guimarães (1904-1991)


Jurista, escritora e feminista portuguesa, nasceu em Lisboa, filha única de Alice Pereira Guimarães e de Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães, militar e republicano, que foi primeiro-ministro na 1ª República portuguesa. Elina estudou em casa com mestres e frequentou os Liceus Almeida Garrett e Passos Manuel. Em 1926 acabou a licenciatura em Direito. Nunca exerceu a advocacia. Trabalhou algum tempo no Tribunal de Menores. Casou em 1928 com o advogado Adelino da Palma Carlos. Defensora acérrima da participação das mulheres na vida política, foi uma continuadora dos ideais de Ana de Castro Osório e de todas as que na 1ª República lutaram por uma democracia que tardava a chegar, onde a educação das raparigas era primordial. Elina colaborou em imensos jornais e revistas, que é impossível enumerar. Desde O Rebate até ao Diário de Lisboa, passando pela Alma Feminina, Portugal Feminino, Seara Nova, Diário de Notícias, Primeiro de Janeiro, Máxima, Gazeta da Ordem dos Advogados e um não mais acabar de colaborações. A sua vida foi uma permanente intervenção a favor da liberdade de expressão, na educação das mulheres para os seus inalienáveis direitos como cidadãs. Fez conferências em Portugal e estrangeiro e, sem exagero, pode dizer-se que Elina Guimarães é o feminismo do séc. XX na sua mais completa expressão. Os seus conhecimentos dos direitos das mulheres do ponto de vista da jurista foram essenciais para despertar e informar muitas gerações de mulheres sobre os seus direitos. Esteve ligada a muitos movimentos e instituições feministas e de direitos das mulheres, desde o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde foi secretária-geral até à International Council of Women, International Alliance for Women's Sufffrage, Federation International des Femmes Diplômées em Droit. Foi condecorada em 1985 com a Ordem da Liberdade. Na passagem do centenário do seu nascimento, em 2004, foi organizada pela Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, uma sessão de palestras seguida de exposição retrospectiva da sua vida e obra, que teve lugar no Palácio Foz, com uma assistência assinalável, onde se destacavam muitos juristas.

Biografia retirada daqui

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Lídia Jorge


Escritora portuguesa, natural de Boliqueime (Algarve). Estudou Filologia Românica na Universidade de Lisboa, dedicando-se, depois, ao ensino liceal. Como professora, trabalhou em Angola e Moçambique, radicando-se posteriormente em Lisboa, onde é professora universitária e colaboradora de vários jornais e revistas. Membro de diversos júris de prémios literários e da Alta Autoridade para a Comunicação Social, os seus romances têm uma grande variedade temática. Estão sobretudo ligados aos problemas colectivos do povo português e às circunstâncias históricas e mudanças da sociedade nacional após o 25 de Abril de 1974, assim como à condição feminina. Têm sido, por vezes, associados à literatura sul-americana, pela presença, neles de elementos fantásticos. A cultura de tradição oral, a linguagem dos grupos arcaicos, os seus mitos e simbologias sociais, servem também o objectivo de reflexão sobre a identidade cultural portuguesa. A sua escrita reflecte a captação da oralidade, bem como uma estrurura narrativa em que se afirma, a par do discurso do narrador, o discurso das personagens. A perspectiva da narrativa desdobra-se assim num experimentalismo que marca, sobretudo, as suas primeiras obras. Uma das romancistas de maior sucesso na literatura portuguesa contemporânea, escreveu os romances O Dia Dos Prodígios (1980), O Cais das Merendas (1982, Prémio Município de Lisboa), Notícia da Cidade Silvestre (1984), A Costa dos Murmúrios (1988), A Última Dona (1992) O Jardim Sem Limites (1995), O Vale da Paixão (1998), O Vento Assobiando nas Gruas (2002), o conto a Instrumentalina (1992), e a peça de teatro A Maçon, encenada em 1997 e que tem como personagem principal Adeaide Cabete. 

Biografia retirada daqui

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas (1893-1983)


Escritora e interveniente política portuguesa. Mulher de personalidade admirável, oriunda de uma família burguesa de Torres Novas, ali estudou até aos dez anos. Aprendeu línguas o que lhe viria a ser útil mais tarde, quando teve de ganhar a vida com traduções. Traduziu mais tarde "Memórias de Adriano", de Marguerite Yourcenar, que conheceria em Paris. Casou nova e aos 25 anos já tinha duas filhas. Viveu em Luanda e quando o casamento naufragou divorciou-se e quis ser ela a assegurar a educação das filhas. Começa a escrever para os jornais Correio da Manhã e Época, mais tarde para O Século, A Capital e o Diário de Lisboa. Casou, em 1921, com Alfredo da Cunha Lamas, e foi mãe mais uma vez. Em 1928 passou a dirigir o suplemento Modas & Bordados do jornal O Século, dando-lhe uma feição diferente. Um jornal que dava prejuízo passou a dar lucro, tal a importância da sua colaboração. Era preciso chegar às mulheres trabalhadoras pouco esclarecidas quanto aos seus direitos. A sua colaboração no "Correio da Joaninha" passou a ser um diálogo educativo com as leitoras. Ligou-se ao MUD (Movimento de Unidade Democrática) e depois ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde desenvolveu intensa actividade política e cultural. Presa, pela primeira vez, por motivos políticos, em 1949 sofreu imenso na prisão, porque a PIDE a colocou numa prisão incomunicável durante quatro meses. Esteve muito doente. Depois de várias prisões viu-se forçada ao exílio. A sua actividade como escritora é intensa e diversificada. Escreveu contos infantis, estudos na área da mitologia, porém o seu livro mais importante, fruto de dois anos de viagens por todo o país é «As Mulheres do Meu País», uma obra de referência, onde colaboraram com ilustrações os mais famosos intelectuais do tempo, editado em 1950. Seguem-se «A Mulher no Mundo», 1952 e «O Mundo dos Deuses e dos Heróis», 1961.Esteve exilada por diversas vezes, entre 1953 e 1962. Passados sete anos regressou do exílio. Tinha 76 anos e ainda a mesma esperança de melhores dias para Portugal. Viveu o 25 de Abril de 1974 com enorme alegria. Foram-lhe atribuídas duas das mais honrosas condecorações portuguesas, a de Oficial da Ordem de Santiago da Espada e a da Ordem da Liberdade. Faleceu com 90 anos, em Dezembro de 1983. A cidade de Torres Novas relembra-a numa pequena intervenção escultórica. A jornalista Maria Antónia Fiadeiro dedicou-lhe um estudo monográfico.

Biografia retirada daqui

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Carolina Michaëlis


Carolina nasceu em Berlim, a 15 de Março de 1851. O pai, Gustavo Michaëlis (1813-1895), era professor de Matemática e dedicou-se ao estudo da história da escrita, ortografia e estenografia - em 1 85 1, era professor na Universidade de Berlim, tendo sido chefe dos Serviços Taquigráficos do Parlamento. A mãe, Luise Lobeck (1809- 1863), era originária de Stettin, onde casaram, em Setembro de 1838. 
             Carolina, a mais nova de cinco irmãos, perdeu a mãe apenas com 11 anos. Dos sete aos dezasseis anos, estudou na Escola Superior Municipal Feminina de Berlim. Nesse tempo (meados do século XIX), não eram admitidas senhoras nas universidades alemãs. Assim, Carolina Michaëlis teve professores em casa: estudou literatura greco-romana, línguas eslavas, semitas e românicas, onde se integra o português. Também estudou árabe, para poder ler manuscritos no original. Na Universidade de Coimbra, há cadernos de apontamentos seus, escritos nessa língua difícil. 
             A sua inteligência e as suas qualidades de trabalho eram notoriamente acima do vulgar Sabendo isso, o seu professor Carlos Goldbeck deu-lhe, aos catorze anos, como trabalho de férias, a tradução do Nuevo Testamento. Carolina, que não dominava o castelhano, perguntou admirada ao professor se não se teria enganado... ao que ele respondeu: "Estude. Estude!" E Carolina estudou, traduziu, fez uma pequena gramática de espanhol e um caderno de significados em francês e italiano. 
             Em 1867, com apenas 16 anos, Carolina começou a publicar, em revistas alemãs da especialidade, trabalhos sobre língua e literatura espanhola e italiana, O interesse pelo português chegou depois. Rapidamente Carolina se tornou conhecida no meio dos estudos filológicos da Europa. O eminente professor Gaston Paris escreveu-lhe uma carta em que lhe perguntava: 
             "Onde aprendeu aos dezanove anos aquilo que muitos de nós, depois de doze ou quinze anos de trabalho, ainda não conseguiram saber?" 
             Em Portugal, Teófilo Braga, Alexandre Herculano e Oliveira Martins, entre outros, repararam na erudição daquela jovem alemã tão interessada pela cultura e literatura portuguesas - e trocaram cartas com ela. 
             A sua facilidade para as línguas dá-lhe o reconhecimento oficial para ser tradutora, ainda muito jovem.

Em 1872, foi publicada a tradução do Fausto, de Goëthe, feita por António Feliciano de Castilho, que gozava de grande reputação como educador e escritor. O jovem Joaquim de Vasconcellos insurgiu-se contra os erros e a forma menos cuidada de tratar uma obra universal. Estalou a polémica. Uns posicionaram-se a favor do velho escritor e outros, do lado do jovem Vasconcellos. Certo é que saíram à liça escritores como Camilo Castelo Branco, Pinheiro Chagas, Antero de Quental, Adolfo Coelho e muitos outros. Foi tal a repercussão do caso, conhecido por" Questão do Fausto". Carolina Michaëlis, com pouco mais de vinte anos, tomou conhecimento dele e resolveu escrever uma carta a Joaquim de Vasconcelos. Este respondeu. E sucederam-se outras cartas. Joaquim foi diversas vezes a Berlim, onde gostava de se passear com o seu capote alentejano. Depressa descobriram haver, entre ambos, mais do que afinidades pelas coisas da cultura portuguesa.
Em Março de 1876, casaram em Berlim. Depois de uma viagem de núpcias pela Europa, foram viver para o Porto, para a Rua de Cedofeita. Viveram no n° 150 e depois no n° 159, onde a Câmara Municipal mandou colocar uma placa evocativa, recordando que ali viveu a insigne mestra. 

             Foi por um acaso curioso que a alemã Carolina Michaëlis conheceu o português Joaquim António da Fonseca Vasconcelos, nascido no Porto, em 1849. Eram muitos irmãos e, tendo ficado órfão aos quatro anos, em 1859 mandaram-no para Hamburgo, onde estudou Arte, Arqueologia, História da Literatura e Música. Regressou a Portugal e, quando se preparava para voltar à Alemanha, eclodiu a Guerra Franco-Prussiana (1870-71) e permaneceu em Portugal. Viajara pela Europa e o seu trabalho desenvolveu-se nas áreas das artes e da arqueologia, tendo deixado inúmeros estudos pioneiros da História de Arte em Portugal, bem como na área da Música (por exemplo, em 1870, Os Músicos Portugueses com nomes de 400 músicos). Foi professor da Escola de Belas-Artes de Lisboa e deixou uma vasta obra nas áreas da arqueologia, do estudo de monumentos, da ourivesaria e joalharia portuguesas. Os seus desenhos são preciosidades guardadas pelos descendentes.

             Em Dezembro de 1877, nasceu Carlos Joaquim Michaëlis de Vasconcelos. Este filho único de Carolina estudou na Alemanha, tendo-se formado em engenharia de máquinas.

             Nas férias e nos fins-de-semana, a família reunia-se na casa de Águas Santas, nas margens do rio Leça e aqui, Carolina com o marido, a nora e os netos. Conviviam no jardim, porque Joaquim e Carolina adora-vam o ar livre, a Natureza e as plantas. Iam regularmente ao Palácio e à mata do Buçaco, tendo mesmo desenhado os trilhos mais acessíveis.

             Aos vinte e sete anos, Carlos Joaquim casou com uma alemã, de 23, Ana Lina Minna Gertrudes Lautensach, que para a família era simplesmente Lotte. Carolina gostava muito da nora e dos netos (três rapazes). Depois de morrerem os sogros e o marido, Lotte foi viver para Lisboa. Faleceu em 1950, em Águas Santas, o que prova como estava apegada àquela casa de família. O neto, Carlos Joaquim, recorda com saudade "a avó Lotte", que era muito culta e bonita, e como mantinham em família o gosto pelos passeios ao Buçaco e pelos jogos de mímica. Hoje, as mais novas descendentes da grande senhora que foi Carolina Michaëlis de Vasconcelos são três gémeas ainda pequenas. Irá alguma delas ser tão célebre como a tetravó?

             Quando se fala de Carolina Michaëlis de Vasconcellos, afirma-se que ela foi a primeira catedrática portuguesa. É certo que foi realmente a primeira mulher a leccionar numa universidade, a Universidade de Coimbra. Porém, convém desfazer um equívoco. A sua craveira intelectual e as suas investigações tinham-na tornado uma das mais eruditas pessoas do seu tempo, mas Carolina Michaëlis foi apenas convidada para leccionar. A primeira catedrática portuguesa foi, e é, a Professora Doutora Maria Helena da Rocha Pereira, especialista em estudos clássicos, que prestou provas de doutoramento em 1956, na Universidade de Coimbra, e se reformou há escassos anos. Como professora, Carolina era de uma enorme dedicação aos alunos e fazia, várias vezes por semana, a viagem do Porto para Coimbra e regresso, que naquele tempo devia ser bastante incómoda. Aproveitava para preparar as aulas, porque o tempo continuava a ser de ouro! 
             
Entre os títulos que detinha a das letras os de doutora honoris causa pelas Universidades de Friburgo (1893), Coimbra (1916) e Hamburgo (1923). E o rei D. Carlos concedera-lhe, em 1901, a insígnia de oficial da Ordem de Santiago da Espada. A Academia das Ciências de Lisboa, com a oposição de alguns sócios menos abertos à mudança, admitiu, em 1912, as primeiras duas mulheres como sócias daquela instituição: Carolina Michaëlis de Vasconcelos e Maria Amália Vaz de Carvalho.

             O trabalho de investigação de Carolina Michaëlis levou-a a trocar cartas com inúmeros portugueses e estrangeiros, nas áreas da Literatura, Filologia e Folclore, entre outras disciplinas que estudou. Daí haver, no seu espólio, sobretudo na Biblioteca da Universidade de Coimbra, cartas de nomes grandes da cultura, como os portugueses Eugénio de Castro, Antero de Quental, João de Deus, Henrique Lopes de Mendonça, José Leite de Vasconcelos - um dos mais entusiastas adeptos da entrada das duas senhoras para a Academia -, o Conde de Sabugosa, Braamcamp Freire, Sousa Viterbo, Alexandre Herculano, os médicos e escritores Egas Moniz e Ricardo Jorge, os espanhóis Menéndez y Pelayo e Menéndez Pidal, sem falar das perso-nalidades francesas, inglesas e alemãs.

             Há quem pense que a vida de uma investigadora como Carolina Michaëlis era apenas dedicada aos estudos. Chegava a trabalhar 18 horas por dia, quando ia ler e estudar manuscritos na Real Biblioteca da Ajuda, onde o director foi, até à data da sua morte, o escritor Alexandre Herculano. Mas sabe-se que Carolina conciliava bem a vida de família com a de estudo. Trocava alegremente "o escritório pela cozinha e a secretária pelo fogão". Um seu bisneto, Carlos Joaquim Michaëlis de Vasconcellos, engenheiro como o avô, guardou cuidadosamente diversas receitas de cozinha escritas pela bisavó Carolina, que gostava muito de cozinhar. Na casa de Cedofeita ou na de Águas Santas, Carolina descia à cozinha, pui o avental, ia buscar os ovos, a farinha, o açúcar, as amêndoas e, durante horas, esquecia os seus estudos, preocupando-se apenas com a consistência da massa e a temperatura do forno.

             O Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, de que Carolina Michaëlis foi sócia honorária, prestou-lhe homenagem com um número especial da sua revista Alma Feminina, em 1926. Este ano, também os CTT a homenagearam, numa emissão de selos em que está rodeada de sete vultos da cultura portuguesa: o médico e político Miguel Bombarda, o educador e Presidente da 1ª. República Bernardino Machado, o cantor de ópera Tomás Alcaide e os escritores José Régio, José Rodrigues Miguéís, Vitorino Nemésio e Bento de Jesus Caraça. 


Bibliografia
Ascendem a cerca de 180 os títulos publicados por Carolina Michaëlis de Vasconcellos, dos quais destacamos:
- Poesias de Sá de Miranda, 1885
- História da Literatura Portuguesa, 1897
- A Infanta D. Maria de Portugal e as suas Damas (1521-1577), 1902
- Cancioneiro da Ajuda (2 volumes), 1904
- Dicionário Etimológico das Línguas Hispânicas
- Estudos sobre o Romanceiro Peninsular: Romances Velhos em Portugal
- As Cem Melhores Poesias Líricas da Língua Portuguesa, 1914
- A Saudade Portuguesa, 1914
- Notas Vicentinas: Preliminares de uma Edição Crítica das Obras de Gil Vicente, 1920-1922
- Autos Portugueses de Gil Vicente y dela Escuela Vicentina, 1922
- Mil Provérbios Portugueses

Carolina Michaëlis dirigiu a revista Lusitânia, uma das publicações de maior projecção cultural no nosso país. Dos artigos publicados nos jornais, destacam-se os do Comércio do Porto, sobre o Congresso Feminista de Berlim, e do Primeiro de Janeiro, sobre educação e literatura para crianças.

A autora agradece as fotografias e os documentos cedidos pelo Eng.º Carlos Joaquim Michaëlis de Vasconcelos, pela Biblioteca da Universidade de Coimbra, através do seu director, Prof. Aníbal Pinto de Castro, e da bibliotecária, Dr.ª Maria da Graça Pericão, bem como à Dr.ª Maria de Lourdes Amorim, investigadora e conferencista.

Texto de Maria Luísa V. de Paiva Boléo

Biografia retirada daqui

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Eça de Queirós (José Maria)


n.      [ 25 de novembro de 1845 ].
f.       17 de agosto de 1900

Diplomata e escritor muito apreciado.

Nasceu na Póvoa de Varzim em 1846 [de facto em 25 de novembro de 1845], faleceu em Paris a 17 de agosto de 1900. Era filho do Dr. José Maria Teixeira de Queirós, juiz do Supremo Tribunal de Justiça, e de sua mulher, D. Carolina de Eça.

Depois de ter estudado nalguns colégios do Porto matriculou-se na faculdade de direito na Universidade de Coimbra, completando a sua formatura em 1866. Foi depois para Leiria redigir um jornal político, mas não tardou que viesse para Lisboa, onde residia seu pai, e em 1867 estabeleceu-se como advogado, profissão que exerceu algum tempo mas que abandonou pouco depois, por não lhe parecer que pudesse alcançar um futuro lisonjeiro. Era amigo íntimo de Antero de Quental, com quem viveu fraternalmente, e com ele e outros formou uma ligação selecta e verdadeira agremiação literária para controvérsias humorísticas e instrutivas. Nessas assembleias entraram Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Salomão Saraga e Lobo de Moura. Estabeleceram-se então em 1871 as notáveis conferências democráticas no Casino Lisbonense (V. Conferência), e Eça de Queirós, na que lhe competiu, discursou acerca do Realismo na Arte, em que obteve ruidoso triunfo. Decidindo-se a seguir a carreira diplomática, foi a um concurso em 21 de julho de 1870, ficando o primeiro classificado, e em 1872 teve a nomeação de cônsul geral de Havana, para onde partiu. Permaneceu poucos anos em Cuba, no meio das terríveis repressões do governo espanhol. Em 1874 foi transferido para Newcastle; em 1876 para Bristol, e finalmente para Paris em 1888, onde veio a falecer.

Eça de Queirós era casado com a Sr.ª D. Emília de Castro Pamplona, irmã do conde de Resende.

Colaborou na Gazeta de Portugal, Revolução de Setembro, Renascença, Diário Ilustrado, Diário de Notícias, Ocidente, Correspondência de Portugal, e em outras publicações. Para o Diário de Notícias escreveu especialmente o conto Singularidades duma Rapariga Loura, que saiu no livre brinde de 1873, e a descrição das festas da abertura do canal do Suez, a que ele assistiu em 1870, e que saíram com o título de Port-Said a Suez, no referido jornal, folhetim de 18 a 21 de janeiro do mesmo ano de 1870. Na Gazeta de Portugal, de 13 de outubro de 1867, publicou um folhetim com o título Lisboa, seguindo-se as Memórias de uma Freira e O Milhafre; em 20 de outubro, também de 1867, o conto fantástico O Sr. Diabo. Fundou a Revista Portugal com a colaboração dos principais e mais célebres homens de letras do seu tempo. Saíram desta revista vinte e quatro números, que formam quatro tomos de seis números cada um. Para este jornal é que escreveu as Cartas de Fradique Mendes. Na Revista Moderna publicou o romance A Ilustre Casa de Ramires.

Bibliografia:

A Morte de Jesus, na Revolução de Setembro, de 13, 14, 27 e 28 de abril, e 11 de maio de 1870; O Mistério da Estrada de Sintra, cartas ao Director do Diário de Notícias, de colaboração com Ramalho Ortigão, publicadas em 1871, e depois na colecção da Parceria Pereira, de que se tem feito várias edições; As Farpas, crónica mensal da política, das letras e dos costumes, fundada por Eça de Queirós e Ramalho Ortigão em julho de 1871; O Mandarim; O Crime do Padre Amaro, que saíra primeiro no Ocidente; O Primo Basílio, A Relíquia, que escreveu depois da sua viagem à Palestina; Os Maias, Episódios da Vida Romântica, em dois tomos; Eusébio Macário; Cidades e Serras; As Minas de Salomão, de Ridder Haggard, tradução, etc.

As obras de Eça de Queirós, na maior parte, têm tido diversas edições tanto em Lisboa como no Porto. Colaborou no livro In Memoriam, em homenagem a Antero de Quental. São de Eça de Queirós os interessantes prólogos dos Almanaques Enciclopédicos de 1896 e 1897 por ele dirigidos e publicados pelo falecido editor António Maria Pereira. Eça de Queirós, quando faleceu, estava trabalhando em romances inspirados nas lendas de S. Cristóvão e de S. Frei Gil, o celebrado bruxo português. Devido à iniciativa de amigos dedicados do falecido escritor, elevou-se uma estátua em mármore para perpetuar a sua memória, a qual está situada no Largo de Quintela. É uma verdadeira obra artística do escultor Teixeira Lopes. Figura Eça de Queirós curvado sobre a Verdade, lendo-se no pedaço de mármore tosco, que serve de pedestal à estátua da Verdade, estas palavras, que foram ali esculpidas. "Sobre a nudez forte da Verdade, o manto diáfano da fantasia". A inauguração realizou-se no dia 9 de novembro de1903, discursando os srs. conde de Arnoso e de Ávila, Ramalho Ortigão, Dr. Luís de Magalhães, Aníbal Soares e António Cândido; o actor Ferreira da Silva recitou uma poesia do sr. Alberto de Oliveira, falando por último o sr. Conde de Resende, cunhado de Eça de Queirós, agradecendo muito comovido em nome da família do falecido escritor aquela homenagem prestada à sua memória.

Informação retirada daqui

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Elaine Sanceau

Inglesa, nascida em Croydon, filha de pais de origem francesa foi educada na Suíça. Em 1930 passou a residir em Portugal. Publicou textos de História de Portugal em inglês demonstrando que os portugueses tinham sido pioneiros na demanda de novos mundos, nomeadamente na Índia. Elaine dedicou a sua vida ao estudo dos descobrimentos portuguesas, tendo deixado estudos, entre muitos outros, sobre o infante D. Henrique (1942); D. João de Castro (1945) e "A Viagem de Vasco da Gama" (1958): "Os Portugueses em África" (1961); "Os Portugueses na Índia" (1963); "Os Portugueses no Brasil (1963); "Os Portugueses em Marrocos" (1964); "O Reinado do Venturoso" Em 1979, postumamente, foi editado o seu estudo "Mulheres Portuguesas no Ultramar". O Estado português demonstrou-lhe o seu apreço concedendo-lhe o Prémio Camões, em 1944, atribuindo-lhe as condecorações de grande oficial da Ordem de Santiago da Espada, da Ordem do Infante Dom Henrique, em 1961 e a medalha de Ouro da cidade do Porto (onde viveu) em 1968. Era membro do Instituto de Coimbra, do Centro de Estudos Históricos e Ultramarinos e sócia correspondente da Academia Internacional da Cultura Portuguesa.

Informação retirada daqui

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Biografia de Luis de Camoes

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Biografia de Luís Vaz de Camões

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...